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Anuário Itália em SP 2009

Materia Revista Italia em SP

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T A B A C O

Rodrigo Gorga

A minha paixão pelo tabaco nasceu quase que por acaso, quando comecei a trabalhar como vendedor, na tabacaria Lenat de São Paulo em 1991, há mais de 17 anos. Nesta época não haviam muitos livros e nem charutos importados, pois mercado começava a abrir suas portas aos produtos estrangeiros, por isso tive a felicidade de aprender muito do que sei sobre este saboroso mundo, com os clientes que freqüentavam a loja naquela época e gentilmente me presenteavam com seu tempo e suas deliciosas historias sobre seus charutos e cachimbos. Com isso, me “obriguei” a experimentar um pouco do que tinha ao meu alcance e dentro das minhas possibilidades. No começo confesso que torcia o nariz, mas logo fui pegando gosto pela coisa e tentando diferenciar o que degustava, seguindo instruções dos meus experientes mestres. Julgava impossível descrever algo que é intangível, chamado paladar, sem conhecer profundamente o que eu estava vendendo.

Anos se passaram e fui desvendando a minha paixão pelos tabacos mais escuros, como mata fina e o tabaco negro cubano, que são diferentes entre si, mas cada um tem as suas deliciosas peculiaridades e por isso tantos charuteiros os preferem. Também gosto dos fumos Sumatra e Connecticut, que são mais claros e ganham um pouquinho de acidez durante a queima.

Hoje certamente concordo com Zino Davidoff, que dizia: “… Existe um charuto para cada momento e um momento para cada charuto…”.

Por tudo isso ressalto a importância de compararmos apenas charutos de mesma nacionalidade, pois o tabaco, bem como as uvas, sofrem total influência do terroir (solo, clima…) onde são cultivados.

O tabaco brasileiro tem sua personalidade com sabores marcantes, tostados e persistentes. O cubano é excepcional perfeito, inconfundível e deliciosamente equilibrado. O fumo da Nicarágua é rico, saboroso e complexo. Os charutos elaborados na República Dominicana, em sua grande maioria, são suaves e delicados perfeitos para um feliz começo no mundo dos charutos ou para o começo do dia. Mas é importante frisar que o melhor charuto do mundo, é o que a sua boca gosta, não existe regra, eu prefiro o aceso.

Em busca dos diferentes sabores e aromas do tabaco, viajei por diversas plantações e fabricas de charutos ao redor do mundo, aprendendo, degustando, apurando e enriquecendo o meu paladar, que desde criança foi lapidado por meus divertidos familiares descendente de italianos.

E como não poderia deixar de ser, felizmente hoje os charutos estão ligados à gastronomia, pois acima de qualquer coisa, degustamos os puros.

Atualmente o hábito charuteiro vem rejuvenescendo e ganhando novos apreciadores, que como eu, são envolvidos pelas ricas historias e descobrem os complexos e variados sabores e aromas e também a infinitas possibilidades de harmonizações com charutos.

Há muitas décadas a industria de tabaco brasileira exporta tabaco para boa parte do mundo e estejam certos que em várias ligadas (blend do charuto), com exceção dos cubanos, existe o tabaco brasileiro.

Abs… Gorga

blog@rodrigogorga.com.br

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